
Ergui meus olhos à janela
num silencio árduo e inquietanteFormei ali minha própria tela
como imagem eterna, agonizante
Vi decair uma estrela cadente
e a enxerguei como grande farsa
Nem pedidos frios nem desejos quentes
em verdade ela transformava
Razão, tentação e desequilibrio
moldaram aqui tortuosa escultura
Palavras, pedras e ínfimo delírio
fizeram-me cavar minha sepultura...
Posso dizer então que o fôlego cansado que infiltrou-se em minha respiração,
não faz juz à força da chuva que há pouco tempo molhava o chão da rua.
Virarei a noite observando quem atravessa o outro lado da janela,
ouvindo as vozes que embalam em conversa,
sem nenhum escrúpulo, sem nenhuma pressa...